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Uma história comovente....mas verdadeira

De madrugada, há mais de uma centena de anos, um bebé foi encontrado num celeiro de um casal, cuja mulher tinha sido mãe há dias. Dentro de uma bonita alcofinha, com uma trouxa de enxoval ao lado e um saquinho de moedas.
Foto: Vinscott.blogspot.com
Esse bebé era o pai da minha avó materna.

O casal acolheu-o e resolveu dar-lhe o nome de João e o sobrenome de capitão.

Mas a história não começa aqui. O homem , pai de criação do meu bisavô, trabalhava numa grande quinta, não muito longe de sua casa. A quinta pertencia a um tal Dom……….., e ainda existe, propriedade de familiares. O senhor era conhecido por toda a zona. Este senhor tinha vários filhos e um certo dia uma das filhas, ainda jovem, dizem que talvez com 16 anos, tinha deixado de ser vista na quinta, tal como a mãe. Por coincidência, ou talvez não, um dos jardineiros, jovem de boa aparência, tinha ido para o Brasil. Dizia o povo que tinha levado uma boa quantia em dinheiro, talvez para não mais regressar. O que é certo é que nunca mais foi visto.

Quanto ao meu bisavô foi criado pelo casal e, segundo diziam chegou a trabalhar também na dita quinta. Já homem tinha umas quantas propriedades, herança que deixou aos filhos. Quanto ao dinheiro para comprar os bens ninguém sabe ao certo de onde tinha vindo, a não ser os pais de criação, claro, mas que nunca contaram a ninguém.

Casou e teve dez filhos, cinco rapazes e cinco raparigas. Aos rapazes pôs o sobrenome de Capitão. Quanto às raparigas, entre elas a minha avó só tinham o sobrenome da mãe.

Dizem que não era homem de grandes conversas nem de bom feitio. Às refeições os rapazes comiam primeiro o que queriam, quanto às raparigas comiam o que sobrava.

Quanto ao sobrenome de Capitão, diziam em surdina que na família do tal dono da quinta, havia um militar com a patente de capitão. Se foi essa a razão ou não ninguém sabe nem nunca saberá.

Em pequena a minha avó costumava contar-me estas histórias e, mais velha, como passava as férias com ela comecei a anotar em papéis , que ainda conservo. Não há muito tempo, nas arrumações das minhas escritas, fui encontrando estes dados. E como tenho muitos primos, filhos dos meus tios homens e também das minhas tias avós, comecei a aperceber-me que só os netos dos meus tios avós tinham o apelido de Capitão.

Muitos anos mais tarde, estava eu em Macau, e a minha mãe explorava um restaurante, entraram dois senhores para almoçar. A cozinheira que estava ao balcão chamou a minha mãe e, muito admirada chamou a atenção dado que um dos senhores era parecidíssimo com um tio materno meu, já falecido. A minha mãe fez questão de atender os senhores e….surpresa: não é que os senhores eram dois dos proprietários da tal quinta.

O meu bisavô, na certa, tinha sido um bastardo enjeitado.

Escrito por Maria Cruz

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