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Ela bate-me. E agora?

Criei esta conta aqui no fórum com o intuito de me ajudarem.

Então é assim, namoro há cerca de 4 anos. Temos os dois cerca de vinte anos. A nossa relação, apesar de termos as nossas discussões, era quase perfeita. Fazíamos tudo juntos, conhecíamos a família um do outro, e ele sempre que saía ou tinha eventos familiares ou com amigos, sempre fez questão que eu fosse. Obviamente que tínhamos as nossas discussões mas quem não as tem?
 
Foto: HuffPost Brasil
No primeiro ano de namoro, um dia ele bateu-me. Já estávamos chateados há alguns dias. Tínhamos ambos coisas combinadas com amigos, pelo que foi cada um para seu lado, embora tenhamos acabado no mesmo espaço. Eu estava irritada, e fui com as minhas amigas para a rua fumar. Não fumo todos os dias, apenas ocasionalmente. Já o fazia antes de o conhecer, mas quando começámos a namorar parei com esse hábito. Começou a ser apenas quando eu saía com amigas (muito raramente). Ele sabia que eu o fazia, e ficava muito chateado, mas eu não lhe contava, e ele penso que optava por ignorar. Quando voltei ao café, ele puxou-me por um braço, levou-me para a rua, e bateu-me. Deu-me 3, 4 5 chapadas... nem sei. Amigas minhas ouviram-me a gritar com ele, tiraram-me dali. Ainda lhe bati também. Ele estava bêbado, mas isso não o desculpa.

Semanas depois desculpei-o. Fui criticada durante anos, pelos meus amigos, por o ter desculpado. Mas eu amo-o...

Agora tudo se estava a recompor. Ele já saía também com os meus amigos. Estavam a começar a gostar todos dele. Estava tudo a ficar perfeito, mesmo.

Desde que começou o ano que não andávamos bem, sempre a discutir, até que lhe fiz um ultimato. Ou ele mudava ou acabávamos. Assim o fez, ou aparentou fazer. Pensei que este assunto do tabaco também já estava mais que resolvido.

Este mês aconteceu outra vez. Estávamos ambos um pouquinho bêbados. Era ambiente de festa, e pedi um cigarro a alguém. Ele estava ao meu lado, imediatamente mo arrancou da boca, empurrou-me, deu-me um estalo, chamou-me nomes e disse-me "tu não fumas à minha frente!". Ninguém viu penso eu. E ainda bem.

Fiquei a olhar para ele sem reacção, as lágrimas cairam-me rapidamente, e fui-me embora dali. Pensei que ele me viesse pedir desculpas, mas não, veio atrás de mim, agarrou-me por um braço, e fomos para um lugar mais calmo. Chamou-me nomes, dizia-me "chora, chora à vontade", enquanto me dava estalos. Estalos atrás de estalos. Eu disse-lhe que ia à polícia e que estava tudo acabado. Bateu-me novamente. Eu não lhe toquei, acho que fiquei em choque, apenas lhe tentei apertar o pescoço de aflição. Chegaram uns amigos dele e o irmão. Agarraram-no e vieram ter comigo. Dois deles inclusivamente me disseram para ir à polícia, e levaram-me a casa. Note-se que são tudo pessoas com quase 30 anos, ou seja, com cabecinha para pensar...

Nessa noite não dormi, pois além das dores que sentia, ainda me doía mais o coração. Não tinha ninguém com quem desabafar, e quando acordei, pedi ajuda à minha irmã. Não tenho grande à vontade com ela, mas foi a pessoa que me ajudou, inclusivamente ligou ao irmão dele a perguntar o que se tinha passado. Levou-me ás urgências pois fiquei com uma orelha toda negra e com cortes, que penso terem sido dos brincos. Doía-me também o maxilar, mas nada de "grave".

E agora? Já não sei viver sem ele. Fazíamos tudo juntos. Não tenho amigos muito próximos com quem falar, pois nestas idades todos só sabem é julgar.


Ele pediu-me desculpa e tem-me enviado algumas sms a perguntar como estou. Inclusivamente pergunta a amigos meus como estou (sem eles saberem do que se passou). Agora já não lhe respondo ás sms, mas ao início enviei-lhe a factura do médico como que em jeito de "vês o que me fizeste?", e disse-lhe que ia à polícia. Acho que ele acreditou. Eu sei que melhor ir mas não quero. Não quero sequer envolver a minha família porque gostam muito dele, e já tem bastante problemas para resolver. Nem sequer sabem que acabámos, pelo que tenho que levar com muitas perguntas que me deixam muito triste.

Será possível que ele mude? Queria ser forte e não voltar para ele, mas a minha cabeça só pensa em deixar passar uns meses para o fazer ver e sentir a minha falta. E quem sabe ele ao pensar que fui à polícia, não mude...

Aiii, quero ser forte! Quero nunca mais querer olhar para a cara dele!
 

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