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Ele era violênto porque o pai batia-lhe por tudo e por nada, mas amo-o muito

Hesitei bastante em criar este tópico, não só por ser difícil para mim falar neste assunto, apesar de eu dever falar nisto e não guardar tudo para mim.

Este assunto partilhei-o há uns tempos com a minha melhor amiga mas como a relação com o meu namorado tende a piorar cada vez mais eu estou cada vez mais afastada dos meus amigos e só me apetece isolar.
 
Foto: Revista Point
 Desde a minha infância que ando em psicólogas por um problema de infância que sempre me afectou bastante. Neste momento, a minha psicóloga ausentou-se para fazer uma pós-graduação, aconselhou-me uma psicóloga mas como ela volta em Dezembro, eu achei melhor não já que ela me acompanha há muito tempo. Desde Junho deste ano que eu não vou a sessões. Tenho então guardado tudo para mim... mas não aguento mais.
 
Namoro com o meu namorado há 2 anos e 4 meses (fazemos exactamente hoje os 4 meses), o meu namorado apesar de ser uma pessoa violenta também é o oposto, uma pessoa carente e carinhosa. Eu sei o motivo de ele ser assim, deve-se ao passado com o pai dele, que lhe batia "por tudo e por nada", apesar da relação deles estar bem agora, ele nunca teve o apoio de ninguém... a mãe dele sempre foi submissa do pai dele, mas neste momento eu é que me sinto submissa do meu namorado. Sinto medo, apesar de eu ter um feitio muito complicado e de querer tudo a minha maneira eu abdico de muito coisa por ele!
 
Quando começamos a namorar era tudo maravilhoso, eu tinha terminado uma relação de 4 anos há muito pouco tempo e ele namorava com uma rapariga de longe. O nosso começo ficou marcado por traições por parte do meu namorado...eu já sabia que ele era fresco mas deixei-me levar... estas traições foram descobertas por mim no telefone dele e que andei a investigar coisas que para mim não batiam certo ( enquanto eu não vejo as coisas às claras, eu não descanso). Para mim foram traições, mas ele diz que não e traição porque não houve contacto físico. Mas para mim é, porque eu acho que traição não se resume apenas no que se faz, mas também ao que se diz... As mensagens que encontrei no telefone dele, tinham promessas, dizia que gostava delas, que iria acabar comigo para ficar com elas, até quantos filhos e nomes para os filhos já tinham planeado... para mim é traição porque não houve contacto físico porque elas ( sim, digo elas porque foi mais que uma rapariga...) estavam longe!

Uma delas era a tal namorada que ele tinha antes de mim, onde perguntava se iriam morar juntos quando ele viesse estudar para Lisboa...

depois falei com ela e foi ela que me disse que eles nunca tinham terminado o namorado, apenas que tinha pedido um tempo e que sempre falaram... O meu namorado é do Alentejo, e estava em Lisboa a trabalhar, e foi aqui que me conheceu... Eu "acabei" com ele quando descobri, apesar das desculpas dele e de ter mostrado arrependimento.. com sede de vingança e por achar que ele iria aprender se lhe fizessem o mesmo decidi responder a uma mensagem do meu ex namorado em que me pedia para ir ter com ele.. mas contei ao meu namorado que ia ter com ele, quando o meu ex namorado chegou decidi beija-lo sentia necessidade de me vingar...apesar do meu namorado não ter traído fisicamente, eu tinha que cortar o mal pela raiz ate que quando o meu ex namorado se foi embora o meu namorado apareceu.. estava com um amigo a chorar e disse que tinha visto tudo.. que tinha merecido mas que não conseguia viver sem mim e eu logo me deixei levar pelas palavras dele.
 
A primeira vez que ele se mostrou violento, foi numa festa na aldeia dele, onde ele estava bêbedo e me começou a insultar e a agarrar-me num braço. Eu naquele momento, não tive reacção ( ainda nem sabia das traições dele).. e só me queria embora mas não tinha como ir.. aquilo era uma aldeia, e a cidade mais próxima era a 20km dali e só havia 2 autocarros por dia e já tinham passado, táxis nem vê-los... acabei por ficar lá e ele pediu-me desculpa pela atitude.
 
A segunda vez que foi violento comigo foi passado 7 meses... Tínhamos ido um grupo grande passar a passagem de ano na Nazaré e ele disse para eu ir ver de uma amiga e quando cheguei ele começou a apertar-me o pescoço e a agarrar-me com força e foi mesmo no meio da multidão... a minha primeira reacção foi completamente impulsiva e foi de começar a dar-lhe chapadas... ele já estava bêbado e arrastou-me desde a praia até lá acima, onde eu tinha o carro, as pessoas olhavam e não faziam nada... lembro-me de um rapaz dizer " não trates assim a rapariga..." e ele disse : "esta merece isto... é uma p*" eu não conseguia perceber o motivo de ele dizer isso, eu só chorava, nunca me tinha acontecido uma situação daquelas e não percebia o motivo de ele me ofender daquela maneira sem justificação.
 
Quando chegamos ao carro, eu queria ir embora mas ele não me dava a chave do carro, começou a acalmar-se e depois disse que tinha reagido assim pelo problema que eu tinha tido na infância...que ficou com medo que me tivesse acontecido alguma coisa. Não era justificação e foi o que eu lhe tentei perceber, que se eu ja sofria com aquilo, ele ainda me fazia sofrer ainda mais. Nessa madrugada não cheguei a dormir... fiquei a pensar em tudo o que tinha acontecido e no que fazer. Mas o meu problema é que eu era muito agarrada a ele e ele apesar de ter estas atitudes instáveis e inexplicáveis, tinha aquelas em que me tratava como se eu fosse a pessoa mais importante do mundo. Pedi-lhe no dia seguinte que ele procurasse ajuda psicológica ao que ele me respondeu prontamente que sim.
 
Ate hoje que estou a espera... A terceira vez que ele foi violento comigo foi 9 meses depois, discutíamos por causa da mãe dele, desta vez ele só me empurrou mas começou a partir tudo a volta dele, partiu-me o computador, uma maquina calculadora gráfica e acima de tudo partiu-me ainda mais o coração... eu achei melhor informar a mãe dele do que se passava... esperava ajuda da parte dela mas nunca me ajudou... nem sequer para ajuda-lo.
 
Nesse dia eu disse a mãe dele que ia a policia mas ela chorou e pediu-me para não o fazer. Passado umas semanas aconteceu a mesma coisa, mas desta vez ele pegou numa faca a dizer que estava farto e que se ia matar eu chorei e pedi por favor para ele parar com isto. Acabamos os dois a chorar...os vizinhos com o barulho chamaram a policia...eu disse que não tinha acontecido nada para o proteger, já que ele era militar e mais uma vez passou. Neste ultimo mês, estas crises tem acontecido mais vezes...e eu tenho estado muito na defensiva.
 
A nossa relação já não parece uma relação de namorados mais parece que estamos a continuar esta relação por habito apesar de eu o amar mesmo. A minha relação anterior tinha acabado porque tinha caído na rotina mas ai eu já não gostava da pessoa...mas eu agora gosto dele. Destas ultimas vezes, uma delas discutimos quando íamos comer um gelado... ele passou-se e agarrou-me pelo pescoço e a dizer que me matava. A ultima foi na passada sexta-feira... ainda esta muito presente na minha mente...penso no que aconteceu de manha a noite por isso decidi abrir aqui o tópico para desabafar um bocado.
 
Na sexta, estávamos na casa dos pais dele, a cozinhar juntos. Até que eu fui lavar a loiça que tínhamos sujado... estava loiça seca por arrumar e ele disse " devias primeiro arrumar essa loiça" e eu disse "que só arrumava e limpava o que sujava" que é o que ele me responde sempre quando estamos em casa dos meus pais... e eu decidi fazer o mesmo a ver se ele gosta porque eu sou daquelas pessoas que acha que as pessoas só aprendem quando lhe fazem o mesmo... e ele ficou bastante ofendido e começou a disparatar... porque o meu namorado diz bastante asneiras (por tudo e por nada). eu não lhe admiti aquilo e sai dali batendo a porta, ele não gostou e foi atrás de mim agarrou me novamente apertando as bochechas mas depois não sei como... deu-me um beijo mostrando.se arrependido mas eu não lhe perdoei e pedi lhe para me largar e comecei a arrumar as coisas para voltar para Lisboa. ele chegou a dizer que eu estava a fazer birrinha... como se nada tivesse acontecido... e eu fui-me embora... ele novamente me começou a ofender e eu correspondi irritada.
 
Ele agarrou-me pelo braço a dizer que era melhor eu parar que já estava a ficar chateado... e eu tentava tirar lhe a mão do meu braço e ele disse que estava farto que ia buscar uma faca para me matar, eu comecei a gritar a chorar desesperadamente... a minha sorte foi ter a chave do meu carro, que apesar de o portão esta fechado, no carro ele não me podia fazer nada...e fui a correr ate descalça para o carro, ele vinha a correr não com uma faca mas com a parte de baixo da varinha magica, em direcção em mim, sentia-me dentro de um filme de terror, cada vez que penso na cara dele a vir direito a mim com aquilo eu só choro! estive no carro fechada durante 1h a espera que os pais dele chegassem para conseguir me ir embora.
 
O meu namorado apesar de ser muito crescidinho para umas coisas, e muito criancinha para outras, ele não faz nada sozinho, eu sou a pessoa que mais o ajuda, ele tem o 6º ano, não tem a carta e eu faço de tudo para o ajudar a ter força de vontade para o fazer, sou sempre eu a incentivar mas o meu namorado e daquelas que adia muito as coisas... para ele e sempre amanha. eu estou farta de o tentar ajudar...em tudo! não consigo ser assim tão mal tratada e ele agir como se nada fosse!!eu já não sei o que fazer, a minha mãe e a segunda pessoa que mais o ajuda, ela faz mais pelo meu namorado que a mãe dele! ela trata-o como um filho e ele muita vez a critica. E eu pior que me ofenderem a mim, é ofenderem a minha família!
 
Estou na faculdade mas eu este ano parei os estudos, estou a estudar psicologia, mas não tenho cabeça para nada. a minha vida esta sem objectivos. ele vai ficar desempregado esta semana e quer ir morar para uma das casas da minha avo, eu também gostava de ir mas não consigo... tenho medo do que possa acontecer. as vezes só me apetece contar a minha mãe, para ter algum apoio. estou desesperada e acho que se deve notar um bocado no texto por estar um pouco confuso. Peço desculpa por colocar o meu desabafo aqui mas eu acho que alivia um bocado partilhar isto com alguém.

Fonte: Anossavida.pt

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