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Não há outra igual a ela

Ela tem a mania de prender o cabelo num coque alto quando fica nervosa para ganhar tempo, no entanto, ao longo da sua vida já perdeu noites em claro a pensar nos rapazes errados.

Foto: Sérgio Lemos Figueiredo

Ela coça a ponta do nariz para distrair quando se sente envergonhada, mas expõe a cara sem qualquer vergonha se se sentir contrariada.

Já se desfez da opinião dos outros para reduzir o peso da sua bagagem, não se preocupa em passar boas impressões.
 
Ela é a causa, e não mera consequência. Ela é a razão da tua dúvida, do teu porto seguro e, por vezes, da tua dor. Mas quando te sentires cansado é também ela que te vai pedir para fazeres uma lista das três coisas boas que te aconteceram nas últimas 24 horas para te motivar a não desistires.

Ela gosta de reviver o passado, ainda que tenha criado os seus próprios desfechos em histórias que não tiveram fim. A vida ensinou-a a ser feliz superando obstáculos, transpondo limites, plantando gentilezas e colhendo maturidade, mas antes disso, a vida instruiu-a a ser forte. Por isso, tu nunca vais saber o suficiente a respeito dela além do que ela permitir mostrar.
 
E quando tu te sentires inseguro sobre quem ela é, é ela também que te vai fazer lembrar, nos mínimos detalhes, do melhor momento que tiveram juntos nos últimos dias. Não há nada que ela tenha mais zelo do que a memória que guarda a sete chaves das melhores coisas que já viveu.

Tu nunca vais vê-la a fazer juras de amor enquanto ela não estiver feliz. Impulsiva, sim. Mentirosa, não. Tem um medo danado de trazer nas costas o fardo das promessas que não pôde cumprir. Ela não é do tipo que na hora da raiva fala o que for preciso para magoar, muito pelo contrário. Quanto mais calada estiver, mais tu te deves preocupar. Ela tenta, acredita em mim, como ela tenta engolir o seu coração a seco, mas ela vive entre a paixão e a loucura; e não consegue evitar nem uma, nem outra.

Ela vai escrever-te uma dedicatória em todos os livros que lhe deres e ter o prazer de criar piadas entre vocês como se fosse um forte pacto de sangue. Faz isso porque acredita que uma simples atitude – por menor que seja – ao se lembrar de alguém é o que mantém essa pessoa perto, independentemente da distância. Já aprendeu que felicidade é algo que vem a longo prazo, por isso não tem essa pressa de ser “prestável”, de se permite desistir de tentar acompanhar quem luta para se manter a andar em passos largos. Ela acredita que menos é mais e que ter poucos inimigos não é o mesmo que ter muitos amigos.

Ela não é dessas que acorda arrependida, que deixa a frase no ar. Ela é intensa, direta. Ela tem orgulho do que viveu, mas também do que não durou. Foi nesses tropeções que ela aprendeu quem merece realmente a entrega total dela. Pode errar inúmeras vezes, sentir-se derrotada e jurar de pés juntos que não vai passar por isso de novo, mas quando ela acerta, acredita em mim, não existe sorriso maior que o dela!
 
Ela transborda, na sua consciência, a paz que muita gente busca por uma vida inteira. Coisa de quem já aprendeu a ter a alma leve, os sonhos fartos e o coração grato. Ela disse-te que tu podias ir quando quisesses, ficar com quem bem entendesses, ela deixou-te livre. Mas não disse que te esperaria voltar, então essa pode ser a tua única chance. Não há por aí outra igual a ela.

Texto de Samantha Silvany

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