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Grávida dormi 4 dias no metro de Paris

Grávida, de 20 anos era mantida trancada e apanhava, diz mãe.

Jovem saiu do Amapá em Dezembro após conhecer companheiro na internet.

Assustada, grávida e dormindo há quatro dias em uma estação de metrô em Paris. Esse é o caso de uma jovem amapaense de 20 anos que estaria fugida do ex-companheiro de nacionalidade francesa após acusá-lo de agressões e cárcere privado no país europeu. Em Macapá, a mãe da jovem, Elizane Barros, de 37 anos, percorre órgãos públicos e polícia em busca de ajuda para a filha.
Foto: Meio Norte
Na terça-feira (23), Elizane foi até o Ministério Público Federal (MPF) pedir apoio. A mãe contou o drama da filha e mostrou imagens de conversas pelo celular em que a jovem conta as supostas agressões sofridas pelo namorado. A dona de casa acusa o homem de aliciar mulheres no Amapá para levar até Paris, engravidá-las e assim garantir um benefício social pago pelo governo francês.

A mãe chora ao lembrar da filha e teme pela segurança dela, pois o companheiro a teria ameaçado. “Mesmo sabendo que ela não podia engravidar, ele pagou um tratamento para ela ter o bebê e receber um auxílio do governo. Ela vivia trancada em casa, só saía do quarto para comer e ainda era agredida. Muito triste para uma mãe ouvir isso”, desabafou.

Desesperada, a dona de casa relata o drama que vive ao conversar diariamente com a filha pelo celular. A jovem deixou a casa dos pais em Santana, a 17 quilômetros de Macapá, em dezembro de 2015 após conhecer o francês pela internet. De acordo com Elizane, o homem veio até a casa da família e pediu a permissão para o relacionamento. Ele teria custeado toda a viagem.

“Eles se conheceram pela internet. Ele veio aqui em julho do ano passado conhecer a família, e passou dois meses aqui [Santana]. E nesses dois meses tirou passaporte, comprou telefone para ela e começou a iludir. Aconselhei ela a não ir, mas sabe como é jovem, ela já tinha mais de 18 anos e não podia mais obrigá-la a ficar em casa”, relembra.

O drama da filha teria começado assim que chegou em Paris, mas a mãe diz que só descobriu as supostas agressões em abril de 2016, quatro meses após a mudança. A jovem teria aproveitado a ida do companheiro ao trabalho para fugir. "Ela chegou a encontrar abrigo na casa de uma idosa na cidade de Rennes, mas ao perceberem que ela estava grávida, ela foi expulsa do local", contou.

Nas últimas ligações, a jovem teria dito à mãe que procurou o consulado brasileiro na França e denunciou o caso também para a polícia, mas teria sido orientada a retornar para a casa do companheiro pelas duas instituições.

O Palácio do Itamaraty informou que está acompanhando o caso e que não houve orientação para a jovem retornar para casa. Ela teria procurado o consulado na segunda-feira (22) e recebeu atendimento sendo orientada a procurar o Escritório Francês de Imigração, instituição que custeia passagens para estrangeiros voltarem aos países de origem.

O Ministério das Relações Exteriores completa que em nenhum momento a jovem relatou estar dormindo em metrô ou que estaria sendo perseguida e sofrendo agressões.

Gravidez de risco
 
Passando fome e grávida de quatro meses, a jovem não realizou exames de pré-natal e corre o risco de perder o bebê, segundo a mãe, que conta que a filha sofre de útero hipoplástico, quando o órgão não se desenvolve totalmente. A família também não teria condições de pagar uma passagem para ela voltar ao Brasil.

Risco de assédio
 
Pessoas próximas à jovem contaram à Elizane que o francês estaria assediando outra jovem no Amapá para morar em Paris sob as mesmas condições, principalmente para engravidar. A mãe suspeita que o ex-companheiro da filha alicia as mulheres para terem filhos e receberem um auxílio financeiro do governo francês.

Elizane Barros aguarda o retorno do MPF que informou que vai solicitar informações sobre o caso para o consulado brasileiro na França. A mãe foi orientada a pedir que a filha busque ajuda novamente no órgão.

Fonte: G1 Globo

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