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Já te disse que tenho saudades tuas?

Tenho saudades de ir à janela do quarto e ver-te a chegar. De te brindar com o meu sorriso matinal, mesmo que estivesse cheia de sono jamais conseguiria esconder a alegria por te ver à minha espera.
 
Foto: Sou tão boa
Tenho saudades de entrar no teu carro e mudar o posto da rádio e ver a tua cara de zangado que não durava muito tempo e que acabava sempre num beijinho de bom dia, e pelo meio, uma gargalhada feliz e genuína. Lembras-te de quando me fazias as vontades todas e metias os meus kizombas preferidos, embora não gostasses, e ficavas a olhar-me e enquanto eu cantava ao mesmo tempo que era a pessoa mais feliz do mundo? Tenho saudades de te dizer "anda mais devagar sff" com aquele ar de arrogante que tu tanto achavas piada. E como tu gostavas de acelerar!

Já te disse que tenho saudades tuas? Sei que tu também sentes minhas quando, por engano, metes no meu posto preferido e toca a nossa música. Aquela que eu costumava cantar para ti, que tu achavas lamechas, mas que sabias de cor. Não sei se é por engano também, mas a vida por vezes troca-nos as voltas. Mas sabes uma coisa? Todos nós temos alguém, por mais voltas que se dê, que combina connosco de uma forma inexplicável.
 
Alguém que nos preenche alma e dá cor aos nossos dias, até mesmo aos mais cinzentos, fazendo do nosso mundo um lugar mais bonito. Tu foste essa pessoa na minha vida. E tornaste-a cor-de-rosa, da cor dos sonhos. Dos meus e dos teus. Nunca gostei muito do cor-de-rosa, mas tu ensinaste-me a perder o medo, a confiar e a arriscar. Nunca é de mais agradecer os momentos de felicidade, no seu estado mais puro, que me proporcionaste desde então. Todos nós merecemos um amor que nos torne uma pessoa melhor. Só por isso valeu a pena. Por isso, e por tudo o resto que é só nosso.

Diz-se por aí que o amor é quando sabemos que alguém não é perfeito e mesmo assim amamos os defeitos dessa pessoa. Na verdade tu eras um osso duro de roer. Tinhas um temperamento um tanto ao quanto especial. Como eu. Sim, admito, não sou menos difícil que tu. Mas confesso que às vezes davas trabalho. E de que maneira. A tua teimosia e o teu orgulho tiravam-me do sério.
 
E tu sabes como eu gosto sempre de ter razão. E quase sempre tinha não é? Ai de ti que digas o contrário! Eras a minha dor de cabeça. Mas a preferida. E como era bom ter-te por perto, apesar do mau feitio, dos defeitos e das manias. Apesar de tudo. Ou por causa de tudo. Como era bom ter-te, apenas. Voltar, depois de um dia difícil, para os teus braços, que me confortavam como ninguém.

Serás sempre a pessoa que conhece o melhor e o pior de mim. A única que me sabe ler nas entrelinhas.

É difícil acreditar, mas não te amo menos do que há uns tempos atrás, quando tudo parecia correr bem. Não te amo menos quando nos zangamos, nem quando achas que o silêncio é uma boa solução. O silêncio afasta as pessoas. E a distância, essa é uma barreira: faz tantos estragos por aí, mas ainda não foi capaz de apagar-te da minha memória, nem do coração. E acho, sinceramente, que nunca conseguirá essa proeza.

A pressão para te esquecer tem sido grande, embora sem sucesso. Não tem sido nada fácil, honestamente. Mentiria se dissesse que no meu dedo já não está o anel que tu me deste. Confesso também que ainda não apaguei as nossas fotos. Não por falta de tempo ou preguiça. Talvez por teimosia. Não sei. Mas são as minhas memórias. As mais felizes. E nelas mando eu.

Não sou tão feliz hoje quanto alguma vez fui contigo. Nem de perto nem de longe. Mas tou a aprender. Mas há músicas, sonhos e histórias que ficam connosco para sempre, passe o tempo que passar, não importa o quê. E isso não é necessariamente algo mau. Também não sei, por outro lado, se será bom. Acho que ainda estou a descobrir. Mas uma coisa é certa: tu és a minha história de príncipes e princesas que vou recordar para sempre. E gosto de ti por isso. E por mais mil e uma razões.

Ps: Já te disse que tenho saudades tuas?

Fonte: Sabes Muito

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