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Mário Soares foi preso várias vezes mas sempre manteve a honra

Não poderia deixar passar uma pequena referencia a Mário Soares. Deixo um artigo publicado no DN sobre a honra e determinação de uma pessoa em prol de uma convicção.
 
Prisão. "Se nós aguentávamos (...) com alguma galhardia", contava o pintor Júlio Pomar, já Mário Soares mantinha "a mesma maneira de ser" de quando estava livre.
Foto: DN
"Fuja, menino! Está cá a PIDE", avisou a empregada às seis da manhã do dia 13 de Fevereiro de 1949, quando a polícia política o tentou prender em casa, na sequência da candidatura de Norton. "[Vestiu] um sobretudo por cima do pijama, [calçou] uns sapatos" e fugiu pelos quintais (Ditadura e Revolução). Preso à tarde, foi a sua quinta ida para o calabouço.

A sua estreia na cadeia data de Agosto de 1944, à saída de uma interrompida conferência sobre música gregoriana, no Grémio Alentejano, comentada por Lopes-Graça. "Sairia poucas horas depois, após as advertências solenes da praxe, por se verificar que não tinha ficha na outra polícia, a tenebrosa PVDE de então [PIDE, a partir de 1945]" (Portugal Amordaçado). Voltou a ser detido em 1946, porque a Comissão Central do MUD elaborou um documento violento contra a entrada de Portugal na ONU, e em 1947, por causa de outro documento do MUD Juvenil.


E, a 31 de Janeiro de 1948, quando o MUD programou uma manifestação para assinalar a efeméride, ficou seis meses preso, primeiro numa cela "relativamente simpática" no Aljube - na detenção de 1961, esteve um mês nos "curros", "espaço exíguo", onde podia dar três passos, "não mais", com "uma tábua para dormir e duas mantas esburacadas", sem luz nem jornais, a comer "um rancho repelente" -, onde agora se encontrava com o pai (detido na sequência da abortada conspiração de Abril de 1947), sendo depois transferido para Caxias, "coisa verdadeiramente indigna, horrorosa: a retrete era colectiva, sem separações, tínhamos de fazer as nossas necessidades à frente uns dos outros; a água que havia era gélida" (Ditadura e Revolução).

E, "numa fria madrugada fui interrogado na sede da PIDE por um tal Farinha Santos, meu antigo colega na Faculdade de Letras, que era então agente qualificado da polícia política. Brincando com uma pistola enquanto me interrogava, disse-me: "Se disparar e o matar, nada me acontecerá. Todos dirão que disparei em legítima defesa."


O pior de tudo, no ambiente lúgubre em que me encontrava, é que acreditei!" (Um Político Assume-se). Atrás das grades uma dúzia de vezes, agredido, sujeito à tortura de sono, isolado, "só existem dois caminhos: manter a honra e não falar ou sucumbir. Resisti. E, por isso, a prisão foi para mim uma grande escola de conhecimento de mim próprio. [A primeira vez na PIDE] tinha 24 anos. Ganhei uma confiança em mim que não tinha antes" (idem). Em 1950, preso quando discursava no Dia da Paz, "como tinha conseguido introduzir, furtivamente, o discurso no bolso do Prof. Câmara Reys, a PIDE viu-se obrigada a libertar-me, por falta de prova" (Ditadura e Revolução).

Artigo tirado do DN

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