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O futebol não é o que era, parece que voltamos à pré-história, que vergonha

Neste últimos dias os média têm-nos "bombardeado" quase que em directo, o estado vergonhoso a que chegou o dito "desporto rei" em Portugal.


Violência à entrada dos estádios, agressões a árbitros fora e dentro do campo. O que será mais necessário para que alguém tome alguma atitude? Será necessário alguém morrer? Pelos vistos no nosso País, só mesmo quando morre alguém, algo muda.
Foto: Sérgio Lemos Figueiredo
Aos domingos e também durante alguns dias da semana, ao fim da noite, os 3 canais portugueses de noticias marcam posição com senhores a falarem de futebol, cada um com a sua equipa, a defenderem o indefensável. Sim, parece a discussão do "sexo dos anjos", um diz que foi penalti, o outro diz que não e por vezes ficamos minutos a ouvi-los na mesma, vira o disco e toca o mesmo. Não vejo esses programas, mas o meu pai vê e um dia fiz-lhe companhia. Não consegui ficar muito tempo a ouvir aquilo. Não consigo estar a ouvir pessoas, que sendo pagas (muitas a preço de ouro) a falarem e para mim, a pouco dizerem.

Mas a razão principal de eu me desligar do futebol é simples. Fui director de um clube regional durante 12 anos, lidei com camadas jovens de futebol de 11 e futsal, e digo-vos que não é para todos. À que ter estofo para isto.

Naquela altura tentamos incentivar a modalidade desportiva e não a competição. Mesmo sabendo que a competição era o favorito dos jovens jogadores que tínhamos, continuamos a ter como nossa missão, proporcionar desporto gratuito e ajudar a educar um pouco a nível desportivo os jovens das nossas aldeias mais próximas. Infelizmente não conseguimos e porquê? Muito simples...

Principalmente devido aos pais e amigos dos jovens e de alguns sócios. Incrível não é? Mas é esta a verdade.

Contratamos na altura um senhor com formação em educação física e com curso de futebol para que possamos inscrever o Clube numa competição regional. Tudo começou bem até a competição começar.

Resumindo, os pais quase que superavam as ordens do treinador, alguns sócios muitas vezes decidiam quem jogava e muitos amigos e familiares apelavam à violência. Sim, assisti muita vez a amigos e familiares a chamarem nomes a árbitros, a instigar os seus filhos dentro do campo a utilizarem métodos menos próprios e muitas das vezes nem a policia tinha mão naquilo. É triste não é, mas é a mais pura verdade e foram 12 anos nisto. Agora imaginem a nível distrital e nacional, quando entra dinheiro em jogo.

Não consigo imaginar-me a ir ver um jogo a um estádio e assistir a policias a escoltar seres humanos como se fossem animais, mas afinal aquilo é um desporto ou um campo de batalha?

Não consigo ver pais a levar os seus filhos a um jogo de futebol e depois por qualquer que seja a razão, os filhos terem de assistir aos policias a baterem num pai e num avô ao vivo, e digo, por qualquer que seja a razão. Conheço policias e militares e digo-lhes sempre a mesma coisa, se usam essa farda é porque têm mais capacidade que eu, cidadão, de saber actuar em situações dessas. Se eles têm formação, penso que servirá para alguma coisa.

Hoje foi o último dia que assisti a um jogo de futebol, depois de ter visto um jogador a dar uma joelhada num árbitro em directo. Acho que nem mesmo a selecção nacional me fará perder tempo em frente ao monitor.

Talvez um dia mude esta forma um pouco radical de agir, mas, como ser humano que sou, não vou estar a dar valor a violência gratuita e a ser mais um a entrar para a estatística dos canais.

Adoro o desporto, tenho curso de treinador de futebol de 11, nível 1 e será necessário mesmo muita mudança no desporto para o voltar a ver e talvez treinar, até porque isso não me trás rendimentos, coisa que (muitos senhores) nem na tv fazem sem serem pagos.

Sei que vou ser criticado por dizer tudo isto, mas, num País como o nosso tão pequeno falar da igreja e do futebol é perigoso, principalmente quando dependemos economicamente de algumas destas partes. Mas, como não vivo antes de 1974 e não dependo deles para subreviver, não tenho medo de dizer o que penso.

Escrito por Sérgio Lemos Figueiredo

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