Perdi-te, e a culpa não foi de ninguém - Aconteceu na minha VIDA

Perdi-te, e a culpa não foi de ninguém

Perdi-te...

E a culpa não foi de ninguém.

Depois de todo este tempo, sei que, se voltasses, os meus dedos ainda saberiam de cor cada traço do teu rosto e cada sonho do teu coração.

O meu... Nem te falo sobre ele, sobre a pena de acabarmos.

Mas sabes? Fico contente por te ver. Estás com bom ar. As tuas bochechas ainda tem as covinhas do costume. E acho que até perdeste algum peso relativamente à última vez em que te vi.
Foto: Sérgio Lemos Figueiredo

Bom para ti.

Bem sei que o mesmo aconteceu comigo.

Reparo nas tuas botas. Reconheço-as. Foi o último presente que te dei. Faço um esforço tremendo para que os meus olhos não se prendam, mas a minha mente prega-me partidas, e as memórias de um tempo em que o amor era uma realidade e o nosso futuro apenas uma questão de tempo, querem raptar-me do aqui e agora,

Não queria dizer-te isto, mas... dói-me ver-te.

Mas aceito a dor, até já me conformei com ela.

Torna real um Mundo ao qual não pertenço, um presente que nunca quis tomar como meu, porque nunca acreditei que não acabássemos no mesmo amor.

O facto de te ter perdido, deixa-me sozinho com os meus pensamentos, e a tua ausência traz os pesadelos de volta.

Mas é melhor do que nunca ter tido a oportunidade de te amar.

Sei o que estavas a pensar no momento que te vi.

Procuras aquele que conheceste um dia?

O relógio andou mais depressa para mim. Perdi dias da minha vida na esperança que o Sol sorrisse, e que as estrelas voltassem a delinear o futuro dos sonhadores.

Sempre me considerei um romântico incurável.

Mas hoje... tenho círculos negros por baixo dos meus olhos. Não consigo dormir muito bem. Sinto a falta do calor do teu corpo ao meu lado, sem os teus braços a trazerem de volta o sabor de outros tempos.

Sabes qual é a nossa memória que eu mais prefiro?

Lembras-te de quando fomos aquele casamento? No meio do Verão. O por-de-sol estava brilhante, o céu em laranjas e azuis, os meus tons preferidos, por serem as cores que vejo no teu olhar. Ficámos até mais tarde, no meio do silêncio que já nem me lembro... e se calhar nem havia mesmo silêncio, era antes o produto na nossa imaginação no nosso próprio Mundo. A noite ia alta, o dia começou a nascer. Olhámos para o céu sem querermos acreditar , e continuamos a dançar nas palavras mais bonitas alguma vez ditas. O meu nariz toca no teu, e o teu cheiro era intenso.

É o momento que tenho gravado na minha memória.

E sorrio com ele, mesmo que seja um sorriso melancólico.

Agora tenho que ir.

Até um dia.

Ângela Santana | Sérgio Lemos Figueiredo | Sabes Muito
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